terça-feira, 3 de maio de 2011

Greve dos professores de Fortaleza

Fonte: Sindiute
Em Assembleia Geral do SINDIUTE, realizada ontem dia 02/05 no ginasio Marista, professores decidem manter a greve.
A Assembléia que contou com a presença de 2 mil professores, estavam presentes também o presidente da CUT, companheiro Jerônimo, pela CONFETAM, companheira Graça Costa, lideranças sindicais como o companheiro Airtom do MOVA-SE/CUT que manifestaram apoio a luta nacional dos professores pelo piso e o apoio a greve dos professores e ao SINDIUTE por sua independencia e autonomia.
Ana Cristina Guilherme apresentou os informes da audiência:
Reivindicação e respostas:
  1. Data- base fixada em lei para 1º de janeiro- PMF compromete-se a enviar para CMF a lei
  2. Jornada máxima de 40 horas semanais em lei- PMF compromete-se a enviar para CMF a lei
  3. Publicação das nomeações dos professores que assumiram em 2010- PMF entregou os atos de nomeações ao SINDIUTE
  4. Convocação de novos professores para garantir licença Prêmio, Redução e hora-atividade- PMF irá convocar mais de 600 professores, mas não garantiu se a convocação destina-se a liberação dos direitos
Pendências da pauta:
  1. Implantação do valor do piso na tabela salarial de fortaleza, MED 01- R$ 1597,87- Não apresentou nenhuma proposta de data
  2. Nova lotação garantindo 1/3 para hora-atividade do professor- Não apresentou propostas.
  3. Concessão dos direitos a licença prêmio, redução. Não apresentou propostas
  4. Isonomia no PCCS garantinho que professores com o mesmo Tempo de serviço e a mesma formação receba, os mesmos salarios. Não apresentou nenhuma resposta
  5. Eleição diretas para diretores- Não apresentou nenhuma resposta.
  6. Imediato deferimento dos processos de Progressão por Tempo de serviço de 2% negados sos professores em 2009- Não apresentou nenhuma resposta.
 Os informes foram concluidos com a data agendada pela PMF para a proxima negociação , marcada para hoje, 03/02 na SAM/SME as 16 horas.
Após, a plenaria avaliou e a proposta unanime foi a de continuidade e fortalecimento da GREVE, votada de pé por todos os presentes, com fogos de artificios e no final os professores juntos cataram o Hino Nacional já que esta a luta também é nacional.
Foram manifestar apoio e solidariedade a greve dos professores a deputada Estadual Raquel Marques, presidente da Comissão de Educação da Assembléia Legislativa e o vereador João Alfredo que entregou formalmente ao SINDIUTE um CD e documentos enviados pelo TCM com a prestação de contas do FUNDEB de Fortaleza. João Alfredo também convidou a plenaria para a CMF, que dia 03/05 estará votando moção de apoio a greve dos professores e o requerimento de audiêcia pública sobre o Piso e FUNDEB.
No Final Gardenia Baima, que dirigiu os trabalhos da mesa,  colocou em votação  a proposta de calendário\;


03/05- 7h as 15h - Mobilização nas escolas
                   16h- Todos na Audiência- SME
04/05- 10 horas- Assembléia Geral- frente a SME


JUNTOS SOMOS FORTES, SEM O PISO EU NÃO PISO NA ESCOLA!

Ley de Medios: os compromissos que Bernardo assumiu

A destemida Luiza Erundina publicou na pág. 2 do Brasil Econômico, artigo em defesa de um “Marco legal das Comunicações”: 


“… um novo marco legal que corresponda ao estágio de desenvolvimento tecnológico dos meios de comunicação e que assegure a todos o direito à comunicação e ao pleno exercício da liberdade de expressão…”


Em função disso, este ansioso blogueiro perguntou ao Miro Borges a quantas andava a Ley de Medios.

Miro explicou que, no lançamento da Frente Parlamentar pela Comunicação, de que Erundina é coordenadora, o ministro Paulo Bernardo participou de uma conversa em que se comprometeu a:

- uma banda larga a R$ 30 por mês, com 1 mega ( é a ordem que recebeu da Presidenta);

- a Telebrás será a reguladora da banda larga e vai fomentar a concorrência de pequenos concorrentes com as grandes teles; 

- no segundo semestre, o Governo conclui a redação do marco regulatório;

- submete-o a dois meses de consulta pública e, depois, manda para o Congresso;

- a Ley de Medios brasileira vai tratar de: monopólio; propriedade cruzada; produção regional independente; criação de uma Comissão Nacional de Comunicação

(Bernardo previu uma batalha feroz no Congresso, já que a maioria do Governo se estreita quando o assunto é “radiodifusão”.)

- Bernardo também se comprometeu a manter uma mesa permanente de negociação com órgãos como a Frente Parlamentar e o Barão de Itararé, de que Miro é o presidente; e realizar uma segunda Confecom – clique aqui para ler “Bahia segue o Ceará e cria uma Comissão Estadual de Comunicação”.

- No encontro, Bernardo ouviu duas propostas de ribombar o malho, como diz o Mino Carta:

- Criar um instituto alternativo ao Globope – como fez a Cristina Kirchner, na Argentina para medir a audiência na televisão e confirmar que a publicidade do Governo atinge a audiência que a Globo lhe vende;

- E fazer os Correios confrontar o monopólio da Abril na distribuição de revistas.

Ouviu, sorriu e não disse nada.

domingo, 1 de maio de 2011

CPI para investigar repasses a rádio de Aécio Neves é barrada

    Rádio Arco-Íris, transmissora da Jovem Pan FM em Belo Horizonte, é ligada à família do ex-governador e atual senador 

28/04/2011
Fonte: Rede Brasil Atual
Por falta de assinaturas, foi arquivado na terça-feira (26) o pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigaria repasses de verbas à rádio Arco-Íris. A transmissora da Jovem Pan FM em Belo Horizonte (MG) é ligada à família do ex-governador e atual senador Aécio Neves (PSDB-MG) e teria sido privilegiada no repasse de verbas de publicidade pública pelo governo mineiro.
O líder da oposição, Rogério Correia (PT), conseguiu 23 das 26 assinaturas necessárias para a abertura da CPI – a Casa tem 77 parlamentares. Havia expectativa de se consiseguir apoio de  três dos cinco deputados do PDT, mas isso não aconteceu. A oposição ao governador Antonio Anastasia (PSDB) considera que nomeações para cargos no governo prometidas a pedetistas teriam ajudado a conter a CPI.
A "operação abafa" deve impedir que se investigue se os R$ 210,6 mil em verbas publicitárias repassados para a Arco-Íris em 2010 havia sido repetidos durante os sete anos anteriores da gestão de Aécio. A irmã de Aécio Neves, Andrea, é sócia majoritária da rádio Arco-Íris e coordenou o Núcleo de Comunicação do Governo, tendo poder de determinar quais rádios receberiam anúncios.
A assessoria de Aécio afirma que foram utilizados critérios técnicos na escolha das rádios que receberiam investimentos publicitários e nega possíveis ingerências de Andrea no direcionamento de verbas.
A Arco-Íris é muita próxima da família de Aécio Neves. A mãe dele, Inês Neves, é uma das sócias minoritárias da rádio, de acordo com registro na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A camionete Land Rover preta que ele dirigia quando foi parado, há menos de dez dias, em uma blitz no Leblon, no Rio de Janeiro, está no nome da emissora.

A audiência com o ministro Paulo Bernardo


Fonte: Caros Amigos
segunda-feira 25 de Abril de 2011, por Altamiro Borges
Na véspera do feriado, representantes de 20 entidades que lutam pela democratização da mídia tiveram uma audiência, de quase duas horas, com o ministro Paulo Bernardo, das Comunicações, em Brasília. Foi o primeiro encontro oficial de um ministro desta área estratégica com um conjunto de movimentos do setor, fato inédito que indica uma postura mais aberta ao diálogo.
Com autonomia e unidade, as entidades apresentaram as suas críticas aos primeiros meses da nova gestão. Concentraram as queixas em dois itens: a demora na apresentação do projeto do novo marco regulatório da comunicação e os sinais de “privatização” do Plano Nacional de Banda Larga. Como proposta concreta, sugeriram ao ministro a criação de uma mesa permanente de diálogo.
A “bronca” sobre a banda larga
Paulo Bernardo, bem humorado e cortante nas respostas, ouviu atentamente, fez anotações e não fugiu às polêmicas. Quanto ao PNBL, ele relatou a reunião que acabara de fazer com a presidenta Dilma Rousseff, na qual “também levei uma bronca”. Garantiu que o governo elevará a velocidade do serviço - “agora só falo em megabytes” - e endurecerá as negociações com as teles.
Sem tergiversar, o ministro descartou a hipótese de a banda larga ser um serviço prestado apenas em regime público. Alegou que “falta dinheiro” e que há muitos obstáculos legais. No entanto, ele confirmou a disposição do governo de acelerar o plano. Em primeira mão, informou que a presidenta Dilma autorizou investir mais R$ 1 bilhão por ano no PNBL. Paulo Bernardo também enfatizou que a Telebrás foi “ressuscitada” pelo atual governo e que terá papel “regulador” na implantação da banda larga.
Marco regulatório vem aí
Já no que se refere ao novo marco regulatório das comunicações, Paulo Bernardo informou que o projeto elaborado pela equipe do ex-ministro Franklin Martins está na fase final de análise e que o debate será aberto à sociedade no segundo semestre. Diante do ceticismo dos presentes, ele foi enfático no compromisso: “O projeto será enviado entre 1º de julho e 31 de dezembro”.
O ministro alertou que o debate sobre a regulação da mídia será “uma briga longa e difícil”, que alguns setores tentarão rotular a iniciativa de “censura” e que será necessária intensa discussão entre parlamentares, já que para ser aprovado o projeto depende da “formação de uma maioria no Congresso Nacional”. Mesmo assim, insistiu: “O governo está decidido a provocar este debate”.
Mesa permanente de diálogo
Por último, o ministro Paulo Bernardo manifestou simpatia pela idéia da constituição de uma mesa de debate permanente com as entidades que lutam pela democratização da mídia – iniciativa que já tem como precedente a comissão montada entre secretaria-geral da Presidência e a Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS). Ele ficou de encaminhar a proposta para análise. Também sinalizou positivamente com a proposta da convocação da 2ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom).
Em síntese, a audiência foi positiva. Ela mostrou maturidade dos interlocutores, que apresentaram abertamente críticas e sugestões. Serviu para evidenciar a urgência de avanços no PNBL, alvo da gula das teles, e para indicar que o governo está disposto a enviar o projeto de novo marco regulatório. Na prática, confirmou que será preciso intensificar a pressão dos movimentos sociais para garantir a banda larga e a regulação da mídia. A briga é de titãs e não permite qualquer tipo de passividade e omissão.

Blogueiros contra-hegemônicos no estado do capital


Fonte: Caros Amigos 
sábado 16 de abril de 2011, por Terezinha Vicente
Mais conhecidos como blogueiros “sujos”, ativistas digitais em São Paulo realizaram o I Encontro de Blogueiros Paulistas. O momento é oportuno para avançar no direito à comunicação e à liberdade de expressão.
O I Encontro de Blogueiros paulistas começou na sexta-feira, dia 15, e vai até domingo, 17, na Assembléia Legislativa de SP. O encontro revelou-se necessário e oportuno, juntando para troca de idéias e discussão política, muitos comunicadores deste Estado oprimido. O primeiro dia de seminário teve de tudo, até vaia para participante! E digo seminário, porque esse encontro padece do mesmo problema que vários outros processos de organização/formação que fazemos – só tem espaço para falar quem está na mesa. Na hora da “platéia” se pronunciar, o tempo é curto, estamos atrasados, pedem para se fazer apenas perguntas.
Foram quentes as pautas discutidas. Animadas pelo evento que vai reunir na próxima semana, pela primeira vez neste ano, o movimento nacional pela democratização da comunicação – o lançamento da Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e Direito à comunicação, no Congresso Nacional – as lideranças que estiveram nas mesas falaram de novo marco regulatório, novas tecnologias, universalização da banda larga, militância contra a opressão da mídia. No domingo, oficinas em grupo, e a plenária final.
Cadê o Projeto da Lei de Meios?
“O momento é importante, os desafios que temos não são poucos”, iniciou Bia Barbosa, do Coletivo Intervozes. Ela saudou os encontros estaduais de “blogueiros progressistas” que estão se multiplicando pelo país. Além dos que já aconteceram, como no Paraná e em Mato Grosso, Pernambuco, Paraíba, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul estão com encontros convocados. Em junho, haverá o segundo encontro nacional. Como disse o blogueiro mór Renato Rovai, da Revista Fórum, na abertura do Encontro, “esta organização vai produzir alguns efeitos na construção de nossa democracia nos próximos tempos. Hoje, a mídia não consegue mais dar a agenda, existe uma disputa de pauta”.
“Desatualizada, fragmentada, contraditória”, é como Bia classifica a nossa legislação para as comunicações. Qualquer projeto para regulamentar os capítulos da Constituição, que avançam um pouco, é rejeitado pelos parlamentares, muitos deles concessionários de emissoras. “E se vivemos num cenário em que não há regras estabelecidas, ou que não cumpridas, vale a lei do mais forte ; não basta ter novo marco regulatório, não basta ter leis, se não há mobilização do povo”, afirma. Segundo a jornalista, “nos recentes diálogos com o Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, pedimos urgência para colocar em discussão esse projeto na sociedade brasileira”, diz Bia, referindo-se ao “famoso” projeto deixado pelo ministro anterior, Franklin Martins, para regular os meios. “ O compromisso do governo foi que, tão logo haja uma correlação de forças necessária no Congresso, o projeto será enviado. Mas se não conhecemos o projeto, se não o discutimos, não há como mobilizar as pessoas, as organizações precisam do texto desse projeto”. Ela defendeu também o direito a banda larga para todos, sem confundi-lo com um produto de consumo. “O PNBL não está sendo construído na lógica da universalização, banda larga é um direito, não um serviço só para quem puder pagar”.
Televisão popularizou o discurso hegemônico
A disputa pelo discurso hegemônico na sociedade, passa ainda pelo rádio e pela televisão, os (de)formadores de nossas últimas gerações, e eles foram também discutidos. “Embora a internet venha para avançar a questão, ainda há muita influencia dos meios de comunicação eletrônicos mais antigos e populares”, disse Bia. Rachel Moreno, do Observatório da Mulher, numa bem humorada apresentação, falou de como os meios, sobretudo a televisão, tem nos oprimido e construído subjetividades que lhes interessam. “ A mídia alcança nós todos o tempo todo, como lazer e informação. E ela não proíbe nada, apenas nos mostra como fazer para sermos felizes”.
Para construir a sociedade de consumo globalizada que temos hoje, o capitalismo precisou pasteurizar gostos, culturas, hábitos, analisa Rachel, para vender as mesmas mercadorias no mundo todo. “Se você não é feliz, reveja o seu estilo de vida, descubra as coisas que você precisa comprar para ser feliz, ainda que o gozo seja curto e rápido”. Feminista, Rachel discorreu sobre a imagem da mulher que a mídia difunde, e sobre os modelos de beleza feminina ao longo da história. “Hoje, a gente é que tem que caber na roupa, não a roupa caber na gente”. Criaram uma geração de mulheres infelizes, segundo Rachel, mas fazem propaganda de alimentos calóricos, bebidas, e dizem estar preocupados com a obesidade precoce, enquanto vendem sutiãs com enchimento para meninas de seis anos! A invisibilidade da “gente que luta, que faz manifestação e nunca aparece” também foi comentada pela psicóloga. “Quando não dá para invisibilizar, eles ridicularizam ou criminalizam”.
“A arquitetura aberta e não-proprietária da Internet é a guardiã de sua liberdade e das possibilidades democráticas de seu uso” Sergio Amadeu
O cientista político, Sergio Amadeu, um dos maiores conhecedores deste novo mundo digital, falou sobre “a atual situação da internet , diante dos diversos ataques, as possibilidades criativas que existem dentro dela, a infra-estrutura de acesso a internet, que pode revelar a diversidade cultural”. Ele deu uma verdadeira aula, mostrando o ativismo digital pelo mundo, e o perigo de controle que alguns governos na Europa já estão fazendo, pressionados pelas indústrias do copyright e das telecomunicações. “ Não podemos nos amedrontar na utilização do espaço para a luta contra as corporações capitalistas”. Claro que exemplo tupiniquim do Ministério da Cultura com os direitos autorais foi discutido. Ele defendeu a necessidade de um marco civil para a internet, mostrou o perigo do PNBL (Plano Nacional de Banda Larga) ser controlado pelo setor privado. Para o professor, é necessária uma empresa estatal para competir com as teles, e para que a inclusão digital não seja só para os ricos. “Quem controla a infraestrutura da rede, não pode controlar o fluxo dos dados que passa por ela, isso é censura!”.
Comunicação no Congresso Nacional

A Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e Direito à Comunicação esteve bem representada na segunda mesa, com a deputada Luiza Erundina e o deputado Paulo Teixeira, ambos de SP e integrantes da Frente. Além deles, o deputado estadual Antonio Mentor, que apresentou projeto de construção de um Conselho Estadual de Comunicação. Luiza destacou a mobilização da sociedade civil para a conquista da Confecom, e repetiu que precisamos pressionar o novo governo para que as resoluções dessa Conferência saiam do papel. Defendendo a democracia direta, a deputada acredita na necessidade do governo brasileiro fazer mais consultas ao povo, para conquistarmos as reformas estratégicas, como a reforma política e a das comunicações.
“A mídia não tem interesse em defender a democracia, fomos nós que conquistamos a pouca democracia que temos aqui”, ressaltou Luiza, que acredita na mobilização para retomarmos a bandeira da liberdade de expressão, que sempre defendemos. Ela lembrou ainda os milhões que estão aplicados no FUST – Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações, e que não devem ser desviados de sua finalidade. O deputado Paulo Teixeira também acha oportuna a conjuntura para a regulação da mídia. “A vitoria nesta eleição, e a maneira como se deu, permite abrir uma janela para reformas progressistas no Brasil, como a reforma política e a regulação da mídia. Só democratizaremos a renda se mexermos nesses dois pilares, a reforma política e a comunicação, devemos mexer nesse latifúndio”.
No próximo dia 28, a Frente tem audiência marcada com o ministro Paulo Bernardo. “Queremos celeridade na regulamentação”, diz Paulo Teixeira, “temos que enfrentar o tema da publicidade para crianças, da propaganda de álcool. Espero que dia 28 ele anuncie isso”. O deputado ressaltou ainda a “mobilização popular necessária, pois fazemos legislação progressista e eles vetam a sua regulamentação. Se os projetos ficarem reduzidos ao parlamento, terão conteúdo conservador”. Passou pelo encontro, durante esta mesa, Paulo Henrique Amorim, do conhecido blog “Conversaafiada”, com uma provocação. “Onde o FHC colocou a grana no PIG? Ele disse que a mídia é comprável pelo Governo, então perguntemos como foi aplicado o dinheiro da comunicação no governo FHC”.
Desafios são imensos e diversos

A necessidade de uma educação para a comunicação foi um tema levantado por vários participantes. “Assusta-me falar com a nova geração”, disse o blogueiro Rodrigo Sérvulo. “Ela já vem ‘chipada’, as crianças cada vez mais querem ter ao invés de ser”. Falaram ainda os militantes digitais Eduardo Guimarães, Helio Paz (RS), Beto Mafra (MG), que contaram suas experiências de sucesso na militância virtual, em mesa com o professor Laurindo Leal Filho/ Lalo. “Quero estimular as pessoas a aderirem ao que vai se tornando o grande sentido da internet, e que há 15 anos atrás não existia”, disse Eduardo Guimarães, do blog Cidadania. “Para quem tinha opinião diferente da dos grandes meios de comunicação, não havia possibilidade de se manifestar”. Blogueiro emblemático na militância, Eduardo acredita muito na força do ativismo na blogosfera, e nas pessoas que divergem vencerem a impotência com isso. “Hoje, cada um de nós é um meio de comunicação. Não podemos viver num país onde se tem medo de exercer a cidadania”.
Lembrando que nossa geração é testemunha das grandes mudanças no mundo com a internet, Lalo comemorou o processo de organização dos blogueiros. "Os encontros de blogueiros que estão sendo realizados mostram uma afirmação da subordinação da tecnologia pela política. O conhecimento da tecnologia dá a certas pessoas um poder, que as distancia do resto da sociedade. Para enfrentar esse problema só a política”. Para o professor as redes e a internet podem ser um contraponto à gritante concentração dos meios de comunicação no Brasil. “Pela primeira vez a comunicação pode ser exercida sem ter um grande acúmulo de capital financeiro anterior, como os investidos nos grandes meios de comunicação. Hoje pude ver este evento pela manhã de casa (a Rede Brasil Atual transmitiu o encontro ao vivo), antes só poderia ver se as grandes emissoras quisessem”.
“Hoje na comunicação, a ciência nos coloca no mundo da instantaneidade, mas também no mundo da fragmentação, com toda a carga ideológica que esse conteúdo possa ter”, provoca o professor. “Teoria da recepção é uma farsa neoliberal”, diz Lalo, referindo-se ao argumento repetido e repetido pelos “donos” das concessões de rádio e televisão, de que “o cidadão individualmente tem poder de escolher, não é preciso mexer com as emissoras, a decisão está com o receptor”.
“Como recuperar as linhas gerais do pensamento humano, que foram apropriadas pela classe dominante, que apresenta suas idéias como se fossem as únicas?” Lalo acha que avançamos muito, mas que nosso ativismo tem sido muito individual. “O nosso desafio é construir uma narrativa coletivizada. O individualismo é intrínseco ao capitalismo, a concentração também, e neste mundo pós moderno há uma exacerbação do individualismo”. Grande desafio mesmo. “A luta contra hegemônica tem nos meios de comunicação um papel importante, e os espaços de discussão que construímos já é um grande avanço”.
Segundo Conceição Oliveira, do blog “sujo” Maria Frô, a blogosfera neste dia de debates do encontro paulista, registrou o terceiro lugar nos TTs para a tag #blogprogSP, na frente da Virada Cultural. A transmissão da @redebrasilatual levou as mesas para mais de 2.500 internautas, segundo Conceição. “Isso mostra o interesse que debates como estes provocam no país e a importância que nós, ativistas e blogueiros, ganhamos no cenário nacional”.

Parlamentares juntam-se ao movimento pela Liberdade de Expressão


Fonte: Ciranda Brasilquarta-feira 20 de Abril de 2011, por Terezinha Vicente
Num exercício de democracia participativa, foi lançada em 19 de abril, na Câmara de deputados, a Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e pelo Direito à Comunicação com Participação Popular, uma novidade no Congresso.
Com calorosas palmas e apupos da cidadania presente foi lançada na Câmara dos Deputados, em Brasília, a Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e pelo Direito à Comunicação com Participação Popular, sob a presidência da deputada Luiza Erundina. Representantes de movimentos sociais de todo o Brasil estiveram lá para o apoio à Frente, pois sabem que sem pressão popular nenhum avanço sairá do conservador Congresso que temos.
A persistência da deputada, que falou muitas vezes na Câmara para ninguém, deu resultado. Erundina inova também quando propõe uma Frente Parlamentar com participação popular, um exercício de democracia participativa que ela tanto defende. “Esta frente, criada logo no início de um novo governo”, disse ela, “deve-se a uma necessidade premente de termos um novo marco legal das comunicações em nosso país, para que se possa construir um diálogo produtivo e permanente sobre a democratização das comunicações no país”.

Considerado por todos os presentes o evento mais importante pela liberdade de expressão, depois da primeira Confecom (Conferencia Nacional de Comunicação), a Frente conseguiu a adesão de 191 parlamentares de vários partidos e de quase uma centena de organizações da sociedade civil. “A liberdade de expressão é fruto da luta do povo”, falou Paulo Teixeira, deputado que ajudou a construir a Frente, “povo que foi às ruas lutar por democracia, pela constituinte livre e soberana, por eleições diretas para Presidente da República. E a Constituição diz que é preciso democratizar os meios de comunicação, ao não fazê-lo estamos nos omitindo no dever constitucional. As desigualdades em nosso país são baseadas na concentração de renda, de poder e de informação”.
“Não há frente parlamentar que funcione sem pressão popular”, afirmou o deputado Ivan Valente. “Esta é uma das grandes questões nacionais, e se não houver a quebra do monopólio dos meios, que é vinculado aos outros monopólios, não teremos meios de comunicação imparciais na verdade”. O deputado de oposição ao governo, lembrou também a questão do FUST (Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações), milhões recolhidos que ao invés de “ ser utilizado para universalizar a banda larga, foi retirado para fazer superávit primário, precisamos dizer que ou é um direito do cidadão ou é a liberdade do mercado, e é preciso sim o controle da sociedade civil sobre os meios de comunicação de massa”.
“Este debate está situado num quadro de transformações que a América Latina está experimentando”, lembrou o deputado baiano Emiliano José, também da coordenação da Frente. “Há necessidade de regulamentação, que existe em todos os países democráticos, é do Estado de direito democrático. Como admitir tanta concentração de propriedade? Queremos milhares de rádios comunitárias, queremos um sistema público de comunicação que possa dar conta do volume de vozes que está excluída do sistema de comunicação, é uma espécie de expropriação do direito da sociedade de se comunicar”.
Pelos movimentos sociais, falou Rosane Bertotti, da CUT. “Esta Frente nasce com um grande desafio para a democracia brasileira, a democratização dos meios de comunicação, que passa neste momento por novo marco regulatório. A luta é longa, precisamos resgatar os princípios que foram colocados por nós na constituição de 1988, apontamos nela leis que garantem o direito à comunicação. Queremos políticas públicas, comunicação pública, para todos os homens e mulheres, pois se não temos regulação, o capital regula”. Está claro para os movimentos que precisamos conquistar as propostas tiradas na Confecom, e que para isso é necessário estarmos organizados a partir do local, inclusive criando outras Frentes estaduais e muncipais. “A luta pela democracia de comunicação tem que se dar em cada município onde vamos construir conselhos, queremos apontar um conselho de comunicação ligado ao poder executivo, como a Confecom aprovou”.
Manifesto e estatuto da Frente foram aprovados por unanimidade, num plenário animado com a renovação desta luta e com as perspectivas de pressão no Congresso que se colocam. Uma audiência com o Ministro da Comunicação já está agendada para o dia 28, bem como seminários e atividades junto aos movimentos sociais. Lançamento de Campanha pela banda larga universal e gratuita será feita nesta segunda, dia 25, em várias capitais brasileiras.
Participantes da sociedade civil empresarial também foram convidados. A Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV) chegou a confirmar sua participação, e depois liderou uma retirada. Somente a Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores de Comunicação (Altercom) e Associação dos Jornais do Interior do Estado de São Paulo (Andijor-SP) integram a Frentecom. Ambas integram a coordenação eleita, assim como as organizações populares, já que a Frente tem caráter paritário.
Leia abaixo a íntegra do Manifesto da #Frentecom:
Manifesto
A Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação é uma iniciativa de membros da Câmara dos Deputados, em parceria com entidades da sociedade civil, que visa a promover, acompanhar e defender iniciativas que ampliem o exercício do direito humano à liberdade de expressão e do direito à comunicação. O direito à liberdade de expressão, previsto no artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos e nos artigos 5º e 220 da Constituição Federal, enfrenta hoje dois tipos de obstáculos que justificam e reforçam a necessidade desta Frente Parlamentar. O primeiro está na existência de ações de órgãos do Poder Executivo, Legislativo e Judiciário e de entes privados que visam a cercear o exercício dessa liberdade pelos seus beneficiários, ou seja, os cidadãos e cidadãs brasileiros. É preciso que se tomem iniciativas e se criem mecanismos permanentes, inclusive no âmbito do Parlamento, para denunciar e combater esse tipo de ação. O segundo obstáculo está na ausência de regulação e políticas públicas que promovam e garantam a liberdade de expressão e o direito à comunicação. Hoje, as condições para o exercício dessa liberdade são muito desiguais, já que os canais de mídia, elementos-chave para a efetivação desse direito, estão nas mãos de alguns grupos econômicos cuja prática impõe sérios limites à efetivação da liberdade de expressão do povo brasileiro e é fortemente marcada pela prevalência de interesses privados em detrimento do interesse público. Portanto, não basta denunciar e combater ações contrárias à liberdade de expressão; é preciso propiciar meios para que todos os cidadãos e cidadãs tenham condições de exercê-la. Assim, enquanto houver dificuldades ou impedimentos econômicos, culturais, sociais, técnicos e políticos para o exercício deste direito, é dever dos Poderes Executivo e Legislativo desenvolver ações no sentido de garantir que o maior número de cidadãos possa produzir, disseminar e acessar informações e cultura. De outra forma, a promoção dos direitos à liberdade de expressão e à comunicação é condição para o pleno exercício da democracia no país. Se os meios de comunicação são os principais instrumentos de circulação de ideias e valores na sociedade brasileira, espaço essencial de consumo de informação e cultura pelos cidadãos e cidadãs, devem então refletir a pluralidade e a diversidade da sociedade, pré-requisito da verdadeira democracia. A realidade dos meios de comunicação mudou muito nas últimas décadas, especialmente pelo surgimento da internet e a efetivação da convergência digital, nos seus aspectos técnico, comunicacional e empresarial. Com a mudança dessa realidade, alteram-se também os obstáculos, e, por sua vez, requerem-se respostas adequadas a esse novo cenário. Hoje, pensar a universalização do acesso à internet, por exemplo, é tão essencial à liberdade de expressão e ao direito à comunicação, quanto o é à promoção da diversidade de conteúdo no rádio e na televisão. A Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação reúne parlamentares e organizações da sociedade civil comprometidos com valores democráticos e se propõe a atuar tendo como base os objetivos acima referidos, observando a complementaridade, indivisibilidade, interdependência e não hierarquização dos direitos humanos. Assim, ela reconhece, conforme prevê o artigo 13 da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, que o exercício da liberdade de expressão está sujeito a responsabilidades ulteriores (ou seja, a posteriori), especialmente quando o que foi dito representar violação de outros direitos humanos. Essa condição não deve criar precedentes para nenhum tipo de censura prévia, seja ela governamental ou judicial, e deve contemplar a proteção da dignidade da pessoa humana, especialmente a de grupos vulneráveis como crianças e adolescentes, mulheres, negros e negras, indígenas, população LGBTT e pessoas portadoras de deficiência. A atuação da Frente se baseia em iniciativas já em curso no Congresso Nacional e em novas ações propostas por seus integrantes, levando em consideração estudos anteriormente realizados por comissões da Câmara e do Senado e propostas elaboradas por entes de todos os setores da sociedade civil, sobretudo as aprovadas na 1ª Conferência Nacional de Comunicação. Entre os objetivos específicos da Frente Parlamentar estão, sem prejuízo de outros, os seguintes: • defender os princípios constitucionais relativos ao tema, especialmente aqueles previstos nos artigos 5º e 220 a 224 da Constituição Federal; • lutar contra qualquer tipo de ação direta ou indireta de censura prévia de caráter governamental ou judicial; • contribuir para a regulamentação dos artigos 220, 221 e 223 da Constituição Federal, que tratam da proibição de monopólios e oligopólios no rádio e na TV; da existência de mecanismos de defesa contra programações que violem os dispositivos constitucionais; da preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas no rádio e na televisão; da regionalização da programação e do estímulo à produção independente; e da complementaridade entre os sistemas público, privado e estatal; • contribuir com o debate sobre o novo marco regulatório das comunicações; • apoiar o debate sobre a criação de conselhos de comunicação em todos os estados da Federação; • defender a ampliação do acesso da população à banda larga, garantindo a universalização do serviço, preços acessíveis e qualidade do serviço ofertado; • trabalhar pela liberdade na internet, tendo como parâmetros a proteção à neutralidade de rede e ao direito à privacidade e à liberdade de expressão; • defender a ampliação da participação popular no acompanhamento e regulação do sistema de comunicações; • defender transparência, regras e procedimentos democráticos em outorga e renovação de concessões, permissões e autorizações de rádio e TV; • contribuir para o fortalecimento do sistema público de comunicação, inclusive rádios e TVs comunitárias; • defender os direitos de grupos vulneráveis como crianças e adolescentes, mulheres, negros e negras, indígenas, população LGBTT e pessoas portadoras de deficiência, no tocante às questões de comunicação; • defender políticas de incentivo à pluralidade e à diversidade em todos os meios de comunicação, com especial observância à diversidade regional e cultural brasileira; • incentivar a produção, distribuição e acesso a conteúdo produzido no Brasil por empresas e organizações brasileiras; • contribuir para o fortalecimento de pesquisa e adoção de tecnologias nacionais nas diversas etapas da cadeia produtiva das comunicações; • estimular medidas que fortaleçam a educação para a prática e a leitura da comunicação, de maneira formal e informal, entre os estudantes do ensino fundamental e médio. A Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação coloca-se, assim, como um instrumento do parlamento e da sociedade civil brasileira para a ampliação do exercício desses direitos e para o fortalecimento da democracia.

Ação na Líbia virou simples assasinato?


Jornalistas visitam casa onde morreram filho e netos da Khadaffi; uma bomba não detonada aparece entre os escombros
Fonte: Tijolaço
A nota da OTAN lamentando a morte do filho mais novo e de três netos de Mummar Khadaffi é de um cinismo poucas vezes visto. Não é crível que Khadaffi deixasse seu filho e seus netos numa instalação militar, ainda mais depois de um mês de pesados bombardeios à capital, Trípoli. Foi, sim, um ataque a uma casa, num bairro residencial, com o deliberado intuito de atingir o líder líbio.
Goste-se dele ou não, não é esse o mandato da ONU para a Líbia. Ao contrário, a autorização de uso de força militar é para proteger civis, não para assassinar Khadaffi e muito menos seus filhos e netos.
Mais cruel ainda é que o ataque se deu poucas horas depois de ele ter anunciado publicamente, na televisão, que estava disposto a negociar com a OTAN em troca de um cessar-fogo.

Fica claro que a ação militar não tem como objetivo criar uma saída humanitária para a crise daquele país. Pretende sim a deposição de um regime e o aniquilamento de pessoas que o lideram, pela via do assassinato – porque não é possível considerar que matar com bombas seja menos que um assassinato a bala, sem defesa.
Aliás, é pior, porque para tentar atingir a TV onde estaria Khadaffi  a Sociedade Líbia da Síndrome de Down também foi bombardeada nos ataques da Otan na madrugada de ontem.
Não é para isso a ONU. Os Brics – Brasil entre eles – devem usar o poder que adquiriram na comunidade internacional para exigir um cessar-fogo imediato e o envio de observadores internacionais para zelar por seu cumprimento. A comunidade das nações não pode, mesmo indiretamente, patrocinar ataques de “execução pessoal”. Não deveriam patrocinar ataque algum, mas estes, de deliberada e dirigida ação homicida são intoleráveis