terça-feira, 31 de maio de 2011

Fifa impede divulgação de documentos contra Teixeira, diz BBC

Fonte: Opera Mundi


O site da BBC Brasil informou que a Fifa (Fédération Internationale de Football Association) está impedindo o programa de TV Panorama, da emissora inglesa, de divulgar documentos que supostamente revelam a identidade de dois dirigentes do órgão máximo do futebol que foram forçados a devolver dinheiro de propinas em um acordo com autoridades suíças – sede da entidade. Um dos dirigentes seria o presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Ricardo Teixeira, integrante do comitê executivo da Fifa. 

Um promotor de Zug, cidade no nordeste da Suíça, tenta divulgar detalhes do caso, mas é contestado pelos advogados contratados pela Fifa. 

Segundo a BBC, Teixeira foi obrigado a devolver o dinheiro por ter supostamente recebido propinas, durante a década de 90 pagas pela empresa de marketing esportivo, a ISL (International Sports and Leisure). A empresa comercializava direitos de televisão e anúncios durante a Copa do Mundo para anunciantes e patrocinadores e foi à falência em meados de 2001. 

Leia mais:  

No ano passado, o mesmo programa da BBC levantou a suspeita sobre integrantes do comitê executivo da Fifa. Além de Teixeira, foram citados o paraguaio Nicolás Léoz, presidente da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) e o camaronês Issa Hayatou, líder da CAF (Confederação Africana de Futebol). 

O total de propinas pagas aos dirigentes chegaria, segundo a reportagem, a 100 milhões de dólares. 

Segundo o jornalista suíço Jean François Tanda, que requisitou a divulgação de detalhes do acordo na Justiça, a Fifa está atrasando a liberação do documento para que ela não ocorra antes das eleições da entidade. 

Segundo a nota da BBC Brasil, tanto Ricardo Teixeira como ex-presidente da entidade internacional João Havelange – também citado entre os suspeitos – se recusaram a responder perguntas feitas pela emissora. A Fifa, por sua vez, se limitou a afirmar que o caso já está encerrado. 

A variação linguística e o ensino de Língua Portuguesa - Coleção Viver, Aprender

Fonte: Ação Educativa



Nota dos autores da Coleção Viver, Aprender sobre questionamento sobre o uso da norma culta e a norma popular no ensino de Língua Portuguesa.


Em 13 de maio de 2011



O ensino da norma culta x norma popular


Por Heloisa Cerri Ramos

Um item que está presente no volume “Por uma vida melhor”, da Coleção Viver, Aprender, 2º segmento do Ensino Fundamental, na seção de Língua Portuguesa, publicada pela Editora Global, está provocando estranhamento entre professores e não professores. Corresponde ao capítulo 1, de Língua Portuguesa, “Escrever é diferente de falar”.

Esse capítulo discute a diferença entre aprender a falar uma língua e aprender a escrever essa mesma língua. Aprendemos a linguagem oral (informal) desde que nascemos, ouvindo os outros falarem. O ensino para esta modalidade da língua não se dá pela sistematização. Não é necessário ir para a escola para aprender a falar. Já para aprender a escrever é preciso que alguém ensine. Intencionalidade e sistematização são necessárias para o ensino da linguagem escrita .

O capítulo chama a atenção para algumas características da linguagem escrita e para uma variedade da Língua Portuguesa (existem inúmeras outras): a norma culta, também conhecida como norma de prestígio. Pretende defender que cabe à escola ensinar as convenções ortográficas e as características da variedade linguística de prestígio justamente porque isso é valorizado no mundo do trabalho, da produção científica e da produção cultural. E ainda que o domínio da norma de prestígio não se dá de um dia para o outro, mas de modo gradual, constante e pela intensa prática e reflexão sobre seus usos.

Na p. 14, “A concordância entre as palavras”, apresenta-se como as palavras concordam em gênero e número. A seção fala da importância desse princípio da língua para a atribuição de sentidos, uma vez que a concordância ajuda a indicar a relação que existe entre determinadas palavras. Exemplifica como isso se dá na norma culta e mostra que na norma popular pode acontecer de maneira diferente. Assim, a frase: “Os livros ilustrados mais interessantes estão emprestados.”, onde ocorre concordância de todos os elementos que se relacionam com a palavra central “livros”, pode ser dita na variedade popular: “Os livro ilustrado mais interessante estão emprestado”. Na variedade popular, basta que a palavra “os” esteja no plural para indicar mais de um referente. Um falante da Língua Portuguesa, ao escutar alguém falar “os livro”, vai entender que a frase se refere a mais de um livro. Isso porque a nossa língua admite esta construção. Não admitiria, no entanto, “livro os ilustrado”. Nenhum falante, escolarizado ou não, falaria assim.

Na p. 15, continua: “Você pode estar se perguntando: “Mas eu posso falar ‘os livro’?. Claro que pode. Mas fique atento porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico. Muita gente diz o que se deve e o que não se deve falar e escrever, tomando as regras estabelecidas para a norma culta como padrão de correção de todas as formas linguísticas. ” Aqui o importante é chamar a atenção para o fato de que a ideia de correto e incorreto no uso da língua deve ser substituída pela ideia de uso da língua adequado e inadequado, dependendo da situação comunicativa. Como se aprende isso? Observando, analisando, refletindo e praticando a língua em diferentes situações de comunicação. Quando há conhecimento das muitas variedades da língua, é possível escolher a que melhor se encaixa a um contexto comunicativo.

Aprende-se a falar e a escrever a norma de prestígio praticando-a constante e intensamente. Decorar regras ou procurar palavras no dicionário têm importância para determinadas situações pontuais, mas não garantem que alguém aprenda a escrever com fluência e adequação, em diferentes situações comunicativas. É dever da escola e direito do aluno aprender a escrever, a ler e a falar os diversos gêneros textuais que circulam na sociedade em que vivemos.

O mundo contemporâneo exige pessoas capazes de usar a língua eficientemente para ler, escrever e falar tanto nas relações interpessoais, como no trabalho, nos estudos, nas redes sociais, na defesa de direitos, nas práticas culturais e até no lazer.

É um direito de todos os cidadãos ter essa formação linguística competente. É dever da escola a responsabilidade de promover tal fomação, especialmente dos profissionais do ensino da alfabetização e da Língua Portuguesa.
* Os livros da Coleção Viver, Aprender, 2º segmento do Ensino Fundamental, seção de Língua Portuguesa, publicados pela Editora Global, têm como fundamento os documentos do Ministério da Educação (MEC) para o Ensino Fundamental regular e Educação de Jovens e Adultos (EJA) e levam em conta as Matrizes que estruturam as avaliações (ENCCEJA – Exame Nacional de Certificação de Jovens e Adultos).

Variação linguística

Por Cláudio Bazzoni

Marcos Bagno, professor do Departamento de Linguística da Universidade Federal de Brasília, começa o artigo “Os dois lados dos ’erros de Português’” afirmando que a “velha doutrina do erro, tão arraigada em nossa cultura”, trata de “uma idealização nebulosa de correção linguística” e que o uso que não está consagrado como “norma culta” (o uso que não está abonado nas gramáticas normativas e nos dicionários) simplesmente “não existe” ou “não é português”. Sírio Possenti, professor associado no Departamento de Linguística do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL-Unicamp),  em seu livro Por que [não] ensinar gramática na escola (2008, 18ª reimpressão, Mercado de Letras) afirma que é fundamental considerar a distinção entre linguística e erro linguístico: “diferenças linguísticas não são erros, são apenas construções ou formas que divergem de um certo padrão”; “são erros aquelas construções que não se enquadram em qualquer das variedades de uma língua.”

A variação linguística é um fenômeno inerente a todas as línguas vivas. Um falante de português, independentemente de sua escolaridade, sabe e usa a língua materna para interagir em várias situações comunicativas nos grupos sociais com que convive. Por isso o “correto” e o “errado”, nas diversas enunciações linguísticas, devem ser relativizados. Assumindo o ponto de vista da gramática normativa, teremos erro em tudo que fugir à variedade que foi eleita como exemplo de boa linguagem. Assumindo o ponto de vista de uma gramática descritiva, só teremos erro na ocorrência de formas ou construções que não fazem parte, de maneira sistemática, de nenhuma das variantes da língua.

Há usos da língua portuguesa, há variedades que, por serem igualmente um fenômeno sociocultural, são valorizadas de modo diferente pela comunidade de falantes.


Um livro didático de Português que ensina a falar errado…
Que explicações vão dar sobre isso?

Por Mirella Cleto

Um dos volumes da coleção “Viver, aprender”, que consta do PNLD EJA 2011, foi apontado como “livro que ensina aluno a falar errado”, em matéria publicada pelo Portal iG. O que motivou o tratamento foi a presença de três frases no seu capítulo 1. São elas: “Os livro ilustrado mais interessante estão emprestado”; “Nós pega o peixe”, “Os menino pega o peixe”. O que elas estariam fazendo em um livro didático de Português?

Descrevendo como se dá a concordância em uma determinada variedade da língua: a variedade popular – depois de já ter sido descrito como ela ocorre na variedade de prestígio. Em nenhum momento o capítulo se referiu à variedade popular como “errada”. Nem poderia, visto que a noção de erro, quando se descreve a língua, significa algo específico: “a ocorrência de formas ou construções que não fazem parte, de maneira sistemática, de nenhuma das variantes de uma Iíngua”. As palavras são de Sírio Possenti (professor associado no Departamento de Linguística da Unicamp),  em seu livro Por que [não] ensinar gramática na escola (2008, 18ª reimpressão, Mercado de Letras). É ele quem esclarece:

“Uma sequência como “os menino”, cuja pronuncia sabemos ser variável (uzmininu, ozminino, ozmenino etc.), que seria cIaramente um erro do ponto de vista da gramática normativa, por desrespeitar a regra de concordância, não é um erro do ponto de vista da gramática descritiva, porque construções como essa ocorrem sistematicamente numa das variedades do português (nessa variedade, a marca de pluralidade ocorre sistematicamente só no primeiro elemento da sequência – compare-se com “esses menino”, “dois menino” etc.). Seriam consideradas erros, ao contrário, sequências como “essas meninos”, ”uma menino”, “o meninos”, “tu vou”, que só por engano ocorreriam com falantes nativos, ou então na fala de estrangeiros com conhecimento extremamente rudimentar da Iíngua portuguesa.”

Para os estudiosos da língua, trata-se de um consenso. Porém é sabido que não é essa a razão da polêmica em torno de um livro de Português voltado à Educação de Jovens e Adultos. A questão geradora de debate é o fato de existir um valor social agregado aos usos da língua (e de ser a escola o espaço privilegiado para seu aprendizado, ser o livro didático o recurso convencional para esse fim).

Nas palavras de Marcos Bagno (professor do Departamento de Linguística da Universidade Federal de Brasília):

“[...] do ponto de vista sociocultural, o “erro” existe, e sua maior ou menor “gravidade” depende precisamente da distribuição dos falantes dentro da pirâmide das classes sociais, que é também uma pirâmide de variedades linguísticas. Quanto mais baixo estiver um falante na escala social, maior número de “erros” as camadas mais elevadas atribuirão à sua variedade linguística (e a diversas outras características sociais dele). O “erro” linguístico, do ponto de vista sociológico e antropológico, se baseia, portanto, numa avaliação negativa que nada tem de linguística: é uma avaliação estritamente baseada no valor social atribuído ao falante, no seu poder aquisitivo, no seu grau de escolarização, na sua renda mensal, na sua origem geográfica, nos postos de comando que lhe são permitidos ou proibidos, na cor de sua pele, no seu sexo e outros critérios e preconceitos estritamente socioeconômicos e culturais.” [...]

[...]

O erro é uma moeda, e como toda moeda, ele tem duas faces: uma face linguística e uma face sociocultural. Como já disse, do ponto de vista estritamente linguístico não existe erro na língua, uma vez que é possível explicar cientificamente toda e qualquer construção linguística divergente daquela que a norma-padrão tradicional cobra do falante. Mas, do ponto de vista sociocultural, o erro existe, sim, e não podemos fingir que não sabemos do peso que ele tem na vida diária dos falantes.” (Fonte: artigo “Os dois lados dos ’erros de Português’ ”)

A coleção buscou aliar essas duas faces. Não desconsiderou a legitimidade de uma variedade popular, descrevendo-a segundo um critério intrinsecamente linguístico. Por outro lado, não ocultou as implicações de seu uso. Escrevem seus autores:

Você pode estar se perguntando: “Mas eu posso falar ‘os livro’?”

“Claro que pode. Mas fique atento porque, dependendo  da situação, você corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico. Muita gente diz o que se deve e o que não se deve falar e escrever, tomando as regras estabelecidas para a norma culta como padrão de correção de todas as formas linguísticas. O falante, portanto, tem de ser capaz de usar a variante adequada da língua para cada ocasião.”

A liberdade para escolher demanda o conhecimento das possibilidades. Por isso, com a finalidade de tornar o funcionamento da variedade urbana de prestígio mais familiar ao aprendiz – jovem ou adulto –,foram propostos no capítulo que abriga essa discussão exercícios relativos à aquisição da língua escrita e da variedade socialmente prestigiada. É só consultar.

Por fim, o capítulo segue o está estabelecido no Edital PNLD EJA 2011, p. 45, sobre o trabalho com a oralidade:

“A linguagem oral, que o aluno chega à escola dominando satisfatoriamente, no que diz respeito a demandas de seu convívio social imediato, é o instrumento por meio do qual se efetivam tanto a interação educador-aluno quanto o processo de ensino-aprendizagem. Será com o apoio dessa experiência prévia que o aprendiz não só desvendará o funcionamento da língua escrita como estenderá o domínio da fala para novas situações e contextos, inclusive no que diz respeito a situações escolares como as exposições orais e os seminários.”

Na mesma página, sobre o trabalho com os conhecimentos linguísticos, o Edital recomenda “considerar e respeitar as variedades regionais e sociais da língua, promovendo o estudo das normas urbanas de prestígio neste contexto sociolinguístico”.

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Nota dos autores da Coleção Viver, Aprender sobre questionamento sobre o uso da norma culta e a norma popular no ensino de Língua Portuguesa.
Confira a nota da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secadi-MEC) - Secadi-MEC esclarece

Câmara Municipal retira votação do reajuste dos professores de pauta

Esperamos que a prefeitura não vacile e garanta o piso dentro do plano do planos de cargo e carreira dos professores. Foi uma boa não ser votado hoje, e desejamos que a casa pense bem, pois se não, ela pode cair.


Fonte: O Povo
O presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, vereador Acrísio Sena (PT), não apresentará nesta terça-feira, 31, as emendas ao projeto de lei que reajusta o Plano de Cargos Carreiras e Salários dos professores da Rede Municipal de Ensino.

Segundo o vereador, a matéria deverá ser estudada por comissões da Casa.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Seminário avança nas discussões do marco regulatório da comunicação

Fonte: Intervozes

Evento reuniu entidades do movimento da comunicação para garantir que propostas da Confecom pautem o debate da nova legislação do setor
Durante dois dias, entidades do movimento da comunicação se reuniram para debater a articulação em torno do novo marco regulatório da comunicação. Realizado pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), o evento debateu as experiências positivas de mudança na legislação do setor América Latina, com atenção especial para o caso argentino da Ley de Medios.
A abertura do encontro, no dia 20 de maio, teve a presença de parlamentares que conduzem frentes legislativas na área de comunicação. A deputada Federal Luiza Erundina (PSB-SP), coordenadora-geral da Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação com Participação Popular (Frentecom) destacou a necessidade da presidenta Dilma Rousseff discutir com a sociedade a proposta para o novo marco regulatório antes de encaminhar ao Congresso
Durante o painel de discussões, o coordenador-geral do FNDC, Celso Schröder, defendeu que o debate da proposta não pode ser um retrocesso com a retomada, por parte da iniciativa privada, de discussões já superadas na Confecom. James Görgen, assessor da Secretaria Executiva do Ministério das Comunicações, afirmou que o governo está aberto ao diálogo com a sociedade civil sem dar preferências aos empresários do setor. Segundo Görgen, as entidades que participaram da Confecom vão integrar uma mesa de diálogo permanente confirmada pelo Ministério. O gerente executivo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Silvo Da-Rin ponderou, no entanto, que existem questões delicadas na proposta do novo marco, como por exemplo os debates de reformulação da Agência Nacional de Cinema (Ancine) e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
No segundo dia de seminário as discussões aconteceram em quatro grupos de trabalho: conteúdo, meios e concessões, convergência, controle público. Foi decidida a criação de um grupo de trabalho para sistematizar as propostas do movimento da comunicação para o marco regulatório. Quanto à mobilização da sociedade, as entidades propuseram a criação de uma marcha nacional que aconteça simultaneamente nas capitais do país, além de atividades de formação e agitação.
Também foi divulgado o Manifesto do RJ pelo Marco Legal. No texto da carta, as entidades defendem que o novo marco regulatório deve abranger todo o setor de comunicações, dando conta do processo de convergência e estabelecendo regras que afirmem a liberdade de expressão e o direito à comunicação de toda a população, buscando garantir a pluralidade e a diversidade informativa e cultural”. O encontro também teve um papel de unidade do movimento de comunicação. Foi oficializada a entrada do Intervozes no FNDC, enquanto outras entidades apresentaram o interesse em também se associar.

Faltou Aécio Neves na lista da “Folha”: o moralismo seletivo ainda é a regra

por Rodrigo Vianna, no Escrevinhador
Nas últimas semanas, militantes de esquerda, blogueiros, lideranças políticas e sindicais concentraram-se num (saudável) processo de crítica ao governo Dilma e às atitudes recentes da direção do PT. Aqui no Escrevinhador, procuramos alimentar esse debate – o que gerou reação irada de alguns leitores que preferiam a “defesa firme” do governo. Recuso-me a seguir por esse caminho do “apoio incondicional”, e lembro que a crítica dura pode ser uma ótima forma de colaborar com o país – ainda que ninguém tenha me pedido colaboração alguma.
De todo jeito, a crítica ao governo não significa esquecer quem está do outro lado. E um bom exemplo é a reportagem de capa na “Folha” desse domingo. Em letras garrafais, o jornal anuncia a lista de congressistas que são donos de rádios e TVs, ou que mantêm parentes na direção das emissoras. Trata-se de assunto importante, sem dúvida. Mas é curioso que a “Folha” tenha “esquecido” um nome na lista!
Ora, há pouco mais de um mês o Brasil ficou sabendo que Aécio Neves, o impulsivo e notívago líder da oposição, é dono de uma rádio em Minas. A própria “Folha” fez matéria sobre o fato. Descobriu-se que o carro conduzido por Aécio, quando ele foi parado numa blitz da lei seca no Rio, estava em nome da tal rádio. E descobriu-se, ainda, que a rádio de Aecim é dona de uma estranha frota de carros de luxo. A oposição ao PSDB em Minas desconfia de repasse de recursos públicos para a rádio, e tenta abrir uma CPI. Quem não se lembra pode ler reportagem da “Folha” aqui.
Mas e o Aécio? Cadê? Por que não está na lista?
O jornal pode se eximir, dizendo que “apenas” reproduziu a lista – que está sendo preparada pelo próprio governo federal, numa tentativa de moralizar o setor. Ora, nesse caso a “Folha” é que devia lembrar o leitor sobre a existência da rádio de Aécio, estranhando que o nome dele não esteja na tal lista! Não se trata de qualquer um: é o líder da oposição!
Outra observação: a “Folha” não deu destaque para o fato de, depois de 8 anos de governo Lula, não haver nenhum parlamentar do PT dono de rádio ou TV! Imagine se houvesse um? Unzinho só? Viraria manchete. Mas Aécio (que tem rádio), esse passa longe da reportagem de domingo no jornal de maior circulação do país.
O moralismo seletivo continua a ser a regra na “Folha”, na “Veja”, no ”Estadão”, em “O Globo”.
Claro que os jornais cumprem seu papel ao divulgar o estranho enriquecimento de Palocci. Não há do que reclamar no caso isolado. Mas salta aos olhos que não se faça o mesmo com a filha do Serra! Quem pagou a casa onde vive a família Serra no Alto de Pinheiros, em São Paulo? Por que Verônica Serra multiplicou o patrimônio de sua empresa em 50 vezes, como se lê aqui?
Não faço aqui qualquer acusação contra Verônica. Mas não é curioso esse moralismo seletivo que poupa a família Serra e a rádio do Aécio, enquanto tenta emparedar o Palocci?
Por essas e outras (quem não se lembra da “ficha falsa” de Dilma na “Folha”, do pé na bunda de Lula na “Veja”, e das armações de Ali Kamel – o jornalista da bolinha de papel -  na Globo?), todo mundo que acompanha as comunicações no Brasil estranhou quando Dilma tentou fazer de conta que isso tudo não existe, e adotou a tática de “normalizar” relações com a velha mídia: foi à festa da “Folha”, fez omelete na Globo e mandou recados de que “o clima precisava melhorar de parte a parte”.
Dilma errou feio (também) nessa estratégia. Como diria Mané Garrincha, faltou combinar com os russos!
Sob comando de Otavinho Frias, Ali Kamel (o jornalista) e da turma barra pesada da Abril, os russos seguem a adotar a tática de sempre: tentaram “matar” Dilma na capa de “Época” essa semana, livraram a cara de Aécio na capa da “Folha”, e seguiram a bater em Palocci.
O governo deve ter apreendido algo nesse episódio. Os russos continuam sendo os russos. Palocci, aliás, é daqueles que se dão bem com os russos. Dilma poderia aproveitar a crise, mandar Palocci tomar chopp no Pinguin em Ribeirão Preto, e voltar a tratar os russos como eles são. Pra isso, seria preciso adotar outro tom.
A Dilma precisa ser aquela Dilma do primeiro debate do segundo turno. A Dilma que não ouve marqueteiros nem Paloccis - e faz a boa e velha política.
Do contrário, ela continuará sendo “morta” toda semana pela “Época”, enquanto a turma do Kamel e do Otavinho seguirá a pavimentar o caminho para que Aécio (ou outro da turma dele) avance em 2014.
Nada mudou quanto a isso. A não ser o fato de que a direção do PT parece ter-se encantado com os rapapés do poder e esquecido de um detalhe: mesmo moderadíssimo, mesmo cheio de ministro consultores, o PT e o lulismo não frenquentam as reuniões do Country Clube no Rio e nem tomam whisky com os ricaços no Clube Harmonia em São Paulo. Por isso, Palocci e outros da mesma cêpa são vistos pela elite como arrivistas, como gente que se lambuza porque nunca antes comeu mel.
Bem que Dilma poderia aproveitar a deixa pra se livrar da turma que está toda lambuzada.

domingo, 29 de maio de 2011

I Encontro de Blogueiros do Ceará

Por Eduardo Cruz
Foram bons os frutos do encontro. Cada palestra seguida de intervenções profícuas deram ao evento substância  para aprofundar ainda mais no encontro nacional dos blogueiros em Brasília. 
Ficou bem destacado alguns pontos como:
  • a regulamentação da mídia em nosso país (Lei dos Medios);
  • o combate à Lei Azeredo - AI5 digital;
  • a apoio aos conselhos de comunicação;
  • a união dos blogueiros, de modo específico, os do nosso estado/região.
Vamos nos mobilizar em pôr em prática essas e muitas outras demandas da blogosfera, suja, de preferência.


sábado, 28 de maio de 2011

I Encontro de Blogueiros do Ceará

Hoje pela manhã, no primeiro dia do I Encontro de Blogueiros do Ceará, Paulo Henrique Amorim (PHA) destacou duas preocupaçoes com os rumos da blogosfera: 
1º: a presidente Dilma, por causa do Palloci, está com menos força de tocar em frente A Lei da Regulamentação da Mídia no Brasil, isso é uma enorme preocupação;
2º:  a banda larga do Brasil corre o risco de ser gerenciada e manipulada pelos barões da mídia de Portugal.

PHA deu o recado, e mais outros estão avisando, dentre Rodrigo Viana aqui.
Assim como eles também alerto: se o governo se distanciar do povo, como fez a prefeita Luizianne, aqui em Fortaleza, será surpreendido pela "terceira via" verde, ou pela via de mão única, a direita.