terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O olhar da Verdes Mares para os arrastões

Quem assistiu a um dos dois telejornais da TV Verdes Mares pôde perceber o recado: "não fiquem com medo, está tudo bem; há alguns arrastões, mas é na periferia".  
Vou descrever o modo como o Jornal do Meio-Dia traduziu os fatos.
De entrada, os jornalistas trataram logo de dizer que há pânico desnecessário, a culpa disso, em parte, foi e é causada por pelos cidadãos que não usam corretamente as redes sociais. 
Depois, o jornal seguem mostrando a greve no interior, ou melhor, a falta de policiais nas ruas. 
E quase no final, o folhetim faz o pequeno favor - é o jeito, para parecer que mostrou os dois lados - de mostrar rapidamente a reivindicação da categoria. 
E para dar o cheque-mate, dando o tom de repressão, a jornalista reproduz o discurso ameaçador do Secretário de Segurança Pública pronunciado na sexta-feira.
Mas nada de ouvir com tranquilidade os trabalhadores. 
Esse é o modus operandi da sereia que há anos seduz a mente de nós cearenses. Enquanto nos enebriamos de BBBs, novelas, e do seu jornalismo show, a sereia nos arrasta para mares com frequência navegados: o mar do silenciamento aos trabalhadores.

O partido único da mídia


A superficialidade e o descrédito a que chegaram os meios de comunicação tradicionais no Brasil é incontestável. Posicionamento político-partidário explícito e "reengenharias" administrativas estão na raiz desse processo.

Dispensas em massa de profissionais qualificados explicam, em parte, a baixa qualidade editorial. Foi-se o tempo em que ler jornal dava prazer. Mas fiquemos, por aqui, apenas na orientação política.

A concentração dos meios e a identidade ideológica existente entre eles criou no país o "partido único" da mídia, sem oposição ou contestação. Ditam políticas, hábitos, valores e comportamentos. O resultado é um grande descompasso entre o que divulgam e a realidade. Hoje, para perceber esse fenômeno, não são mais necessárias as exaustivas pesquisas em jornalismo comparado, tão comuns em nossas academias lá pelos anos 1980.

Agora basta abrir um jornal ou assistir a um telejornal e compará-los com as informações oferecidas por sites e blogues sérios, oferecidos pela internet. São mundos distintos. 

No caso da mídia brasileira essa situação começou a se consolidar com a implosão das economias planificadas do leste europeu, na virada dos anos 1980/90.

Em 1992, no livro "O fim da história e o último homem", ampliando ideias já apresentadas em ensaio de 1989, Francis Fukuyama punha um ponto final no choque de ideologias, saudando o capitalismo como modo de produção e processo civilizatório definitivo da humanidade, globalizado e eternizado. 

Tese rapidamente endossada com euforia pela mídia conservadora e hegemônica que, a partir dai, pautaria por esse viés seus recortes diários do mundo, transmitidos ao público. Faz isso até hoje.

Só que, obviamente, a história não acabou. Ai estão as crises cíclicas do capitalismo, neste início de milênio, evidenciando-o como modo de produção historicamente constituído, passível de transformações e de colapso, como qualquer um dos que o precederam. Mas a mídia trata o capitalismo como se fosse eterno, excluindo de suas pautas as contradições básicas que o formam e o conformam. Dai a pobreza de seus conteúdos e o seu distanciamento da realidade, levando-a ao descrédito. 

De fomentadora de ideias e debates, fortes características de seus primórdios em séculos passados, passou a estimuladora do conformismo e da acomodação. Para ela o motor história não é a luta de classes e sim o consumo, apresentado em gráficos e infográficos, alardeando números e índices que, muitas vezes, beiram o esotérico.

Se nos anos 1990 essas políticas editoriais obtiveram relativo êxito apoiadas na expansão do neoliberalismo pelo mundo, na última década a realidade crítica abalou todas as certezas impostas ideologicamente. As contradições vieram à tona.

No entanto a mídia, reduzida e conservadora, especialmente no Brasil, segue tratando apenas das aparências, deixando de lado determinações mais profundas. Movimentos anti-capitalistas espalhados pelo mundo são mencionados, quando o são, particularmente pela TV, como "fait-divers", destituídos de sentido, a-históricos. Seguindo rigorosamente a tese de Fukuyama. 

Fazendo jus ao seu papel de "partido único", os meios oferecem ao público, como elemento condutor de sua ideologia conservadora, algo que genericamente pode ser chamado de kitsch. Definição dada pelos alemães no século passado para a arte popular e comercial, feita de fotos coloridas, capas de revistas, ilustrações, imagens publicitárias, histórias em quadrinhos, filmes de Hollywood. Atualizando seriam os nossos programas de TV, os cadernos de variedades de jornais e revistas, as músicas e as preces tocadas no rádio. 

Esse é o prato diário da mídia, oferecido em embalagens sedutoras e entremeado de informações ditas jornalísticas, apresentando o mundo como um quadro acabado, inalterável. Não existindo alternativas, resta o conformismo anestesiado pelo consumo, ainda que para muitos apenas ilusório.

Claro que esse quadro midiático tem eficácia até certo momento, enquanto realidade e imaginário de alguma forma guardam proximidade. Mas ele também é histórico e, portanto, mutável.

Enquanto as contradições básicas da sociedade, aqui mencionadas, permanecerem existindo, a integração das consciências "pelo alto" será irrealizável, alertava Adorno, num dos seus últimos textos. Por mais que os meios de comunicação se esforcem por integrá-las. 

Ao se fixar nos seus próprios dogmas, desprezando o real, o poder dos partidos midiáticos tende ao enfraquecimento. Ao se descolarem da realidade perdem credibilidade e apoio, cavando sua própria ruína. Confrontados com a internet desabam. Trata-se de um caminho trilhado de forma cada vez mais acelerada pela mídia tradicional brasileira. Sem falar na contribuição dada a esse processo pela queda da qualidade editorial, tema que fica para outro momento.

Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo da ECA-USP. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial). Twitter: @lalolealfilho

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

#CaosEmFortaleza

hashtags #CaosEmFortaleza está, neste momento, nos TT's do Twitter. 


Vamos postar informações usando essa hashtags alertando as pessoas sobre os casos de roubos e de arrastões que estão ocorrendo em Fortaleza.

Arrastões em Fortaleza se multiplicam

Comércio na Avenida Mister Hull foi fechado antecipadamente por conta dos arrastões (Foto: Caroline Forte/Arquivo Pessoal)
A sensação de medo toma de conta da maior parte das pessoas em Fortaleza por causa da ausência dos policiais na ruas. 
Os jornais já noticiam alguns casos de arratões.Leia aqui, aqui  e aqui.
Fui ao supermercado e ouvi várias pessoas comentando que arrastões estariam ocorrendo em vários lugares simultaneamente. 
Neste momento em que escrevo, fui informado que na 3ª etapa do Conjunto Ceará os ladrões estão levando os carros que estão estacionados nas calçadas. Os moradores do bairro estão apavorados. 
Enquanto isso, o Sr. Governador ainda não se pronunciou. 
Está esperando o quê, Cid Gomes?
Em tempo: Tomara que alguns policiais aprendam que nas greves porrada não resolve, e não agridam mais as outras categorias com suas "leves" armas.



quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

José Serra X Aécio Neves

Fórum Social Temático 2012 terá Gilberto Gil, Manu Chao, Boaventura, Ramonet e presidentes


Fórum Social Temático 2012, que será realizado em Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo e Novo Hamburgo, de 24 a 29 de janeiro, já tem mais de 400 atividades autogestionárias inscritas. Estão confirmados, por exemplo, nomes como Boaventura de Sousa Santos, Ignacio Ramonet, José Graziano, Gilberto Gil, Manu Chao e João Pedro Stédile, entre outros. No dia 25 de janeiro, o FST 2012 deverá abrigar uma mesa de cúpula reunindo os presidentes de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.


A assessoria de comunicação do Fórum Social Temático 2012, que será realizado em Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo e Novo Hamburgo, de 24 a 29 de janeiro, divulgou alguns números e informações sobre atividades confirmadas para o evento. Já há mais de 400 atividades autogestionárias inscritas e estão confirmadas a presença de 300 convidados nacionais e internacionais, entre intelectuais, líderes de movimentos sociais, ativistas das causas ambientais, trabalhistas, indígenas e de direitos humanos. 

Estão confirmados, por exemplo, nomes como Boaventura de Sousa Santos, Ignacio Ramonet, José Graziano e João Pedro Stédile, entre outros. No dia 25 de janeiro, o Fórum Social Temático 2012 abrigará uma mesa de cúpula reunindo os presidentes de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

Paralelamente a essas atividades, ocorrerão vários outros eventos, entre eles oFórum Mundial de Educação e Fórum Mundial da Saúde e Seguridade Social. Os quatro municípios que recebem o encontro terão eventos culturais, feiras de economia solidária e praças de alimentação. Em Porto Alegre, o Acampamento Intercontinental da Juventude instalará suas barracas mais uma vez, no Parque Harmonia. Na programação cultural, estão confirmados shows de Gilberto Gil, Manu Chao, Fito Paez, Leci Brandão, Martnália, entre outros. Além desses shows, estão programadas mostras de cinema, espetáculos de teatro de rua e apresentações circenses.

O tema central de debates do FST 2012 será a crise capitalista e os caminhos para a justiça social e ambiental. Além disso, o Fórum pretende ser um espaço para a formulação de propostas para a Cúpula dos Povos, que ocorrerá em junho de 2012 no Rio de Janeiro, paralelamente à reunião de cúpula das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. Maiores informações sobre como participar, credenciamentos (de imprensa, inclusive) e sobre a programação podem ser acessadas na página do encontro (www.fstematico2012.org.br).

Acampamento da Juventude

Já estão abertas as inscrições para o Acampamento Intercontinental da Juventude do Fórum Social Temático 2012, que será realizado de 24 a 29 de janeiro, em Porto Alegre. O Acampamento da Juventude ocupará o tradicional espaço já ocupado em outras edições de Fóruns, no Parque Harmonia, região da orla do Guaíba, na capital gaúcha.

O valor da inscrição é de R$ 20,00 e dará direito à participação nas atividades do FST 2012. Todos os participantes do AJ receberão uma bolsa e uma caneca de plástico recicladas.Para fazer a sua inscrição, entre emhttp://www.fstematico2012.org.br/acampamento.

A organização do FSt 2012 aproveita para lembrar que inscrições para todas as demais modalidades de participação no FST 2012 só terão validade quando feitas no site oficial do evento, em http://www.fstematico2012.org.br

Os filhos e os amigos do Poder


Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania
Se existe algum mandamento primordial do bom jornalismo deve ser o de seus militantes estarem permanentemente obrigados a se questionarem sobre se não estão incorrendo naquele que também deve ser o maior pecado de tão nobre ofício, o de jornalistas permitirem que as próprias opiniões se confundam com os fatos.
A nota divulgada por Verônica Serra na última segunda-feira a pretexto de responder às acusações do livro A Privataria Tucana, assim, suscitou questionamentos que em tudo se assemelham aos esgrimidos contra Fábio Luís Lula da Silva, que a mídia e os adversários do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamam de “Lulinha” ao acusarem-no de ter feito tráfico de influência durante o mandato do pai.
É um fato irretorquível, no entanto, que o comportamento da mídia em relação aos filhos de Lula e de Serra é totalmente diferente. Tal fato foi bem explicado pela ombudsman da Folha de São Paulo, Suzana Singer, em crítica interna de sua autoria que vazou recentemente. Ela questiona o jornal por dispensar tratamento diferenciado a casos semelhantes.
Suzana, com base no livro da privataria, pergunta por que Verônica Serra e o marido têm offshores, se a Folha não deveria questioná-los e por que o jornal não noticiou que Alexandre Bourgeois, marido de Verônica, foi condenado por dever ao INSS. Ao fim, considera que o jornal foi “muito rigoroso” com filho de Lula e que não está sendo com a filha de Serra.
Todavia, se retiramos do quadro esse partidarismo escandaloso da mídia restam questionamentos tanto a Fábio Luís quanto a Verônica, para não falar em seus pais. E nessa equação nova que se constrói sozinha caberia, ainda, o filho do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Paulo Henrique Cardoso, além de centenas ou milhares de filhos, esposas, pais, irmãos, tios, sobrinhos e o que mais se quiser de políticos com mandatos eletivos em todos os níveis.
Contudo, há que fazer distinção da boa vontade natural que ser filho de políticos influentes desperta do que é uso desses filhos por políticos corruptos para esquentarem o produto de roubo de dinheiro público ou do mero favorecimento daquele político à ascensão profissional e social de seus parentes via tráfico de influência.
É preciso, portanto, comparar os casos envolvendo os filhos do Poder porque não adianta petistas e tucanos ficarem se acusando sem levarem em conta que há telhados de vidro para todo lado. Se eu só falo dos problemas do filho de Lula e não falo dos problemas da filha de Serra ou vice e versa, apenas engano a mim mesmo. Disso, este blogueiro está fora.
Vejamos, então, o caso de Fabio Luís. Filho do ex-presidente Lula e de dona Marisa Letícia, é graduado em Ciências Biológicas. Foi monitor do Parque Zoológico de São Paulo até 2003 – ou seja, fazia apresentações do parque a visitantes, para isso recebendo uma bolsa mensal de seiscentos reais.
Em 2004, após o primeiro ano de mandato de seu pai, Fábio Luís fundou a empresa Gamecorp, o que suscitou diversas matérias jornalísticas e críticas da oposição que o acusaram de tráfico de influência e a seu pai de favorecimento na destinação de recursos públicos, pois o grupo de telefonia Telemar/OI investiu na mesma Gamecorp que teria sido ajudada pelo governo federal.
A suspeita levantada era a de que a Telemar estaria ajudando o filho de Lula esperando que este fizesse uma alteração na Lei Geral das Telecomunicações que permitisse fusão com a Brasil Telecom, o que era proibido. Em dezembro de 2008, porém, Lula assinou decreto que permitiu a venda da Brasil Telecom para a Telemar/Oi.
Pode ser coincidência, pode não ser. Contudo, o caso foi exaustivamente investigado pela imprensa, pela Polícia Federal e pelo Ministério Público e jamais se provou nada. Um tucano, então, poderia argumentar que também houve investigação das privatizações (houve mesmo?) e que nada foi apurado, apesar de não poder dizer que houve pressão da imprensa.
Tão certo quanto o alvorecer sucede a madrugada, os dois lados dirão que a investigação contra o adversário não chegou a nada porque foi malfeita ou manipulada. E é a isso que chamam sectarismo. Em tribunais, porém, não vale nada. E muito menos para quem pretenda se manter lúcido.
Esses casos se reproduzem na política, sendo hoje parte dela. Os filhos do Poder tornam-se naturalmente atraentes de gentilezas e de boa vontade, mas é óbvio que políticos e seus rebentos muitas vezes deixam de ser agentes passivos da generosidade empresarial, por exemplo, e se tornam mercadores das prerrogativas que têm ao próprio alcance.
No caso dos filhos do Poder que não deixam de ser cidadãos por os pais governarem e que, portanto, têm que seguir com suas vidas e assim acabam sendo favorecidos sem pedirem nada, não há o que fazer. Já quando há suspeitas de que o político ou seus parentes se valeram das próprias prerrogativas para mercadejar o poder que detém, há que investigar a fundo.
No que diz respeito ao filho de Lula e à medida que acusam seu pai de ter tomado para favorecê-lo, a declaração da ombudsman da Folha em sua crítica interna corrobora a versão de que o caso foi largamente esmiuçado e dessas investigações nada nunca resultou. No caso da filha de Serra, porém, a omissão em investigar é gritante.
Outra diferença é a de que não há qualquer notícia no caso Gamecorp sobre operações internacionais obscuras como as que cercam os negócios de Verônica Serra. Montagem de empresas anônimas em paraísos fiscais, aumento exponencial do patrimônio pessoal de parentes, amigos e assessores do tucano… Há muito a ser explicado.
Seja como for, o Brasil deveria aprovar leis muito mais duras em relação aos parentes e amigos do Poder sem, é óbvio, fazer com que ser parente ou amigo de um político com mandato eletivo se torne uma maldição que feche portas para essa pessoa porque ninguém quererá correr o risco de ser confundido com um corruptor.
Neste momento, devido a fatos novos que Privataria elenca, é imperativo da cidadania e da isonomia política exigível investigar aqueles que até a ombudsman da Folha afirmou que vêm sendo poupados, o entorno familiar e social de José Serra que protagoniza o livro A Privataria Tucana, entorno contra o qual sobram evidências.